
Frankenstein — Quando Criar é Usurpar
Na releitura mais recente de Frankenstein, o horror não está no monstro, mas no ato de criar sem amor, revelando o vazio espiritual de um homem que tentou ocupar o lugar de Deus.
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1/24/20263 min read


O Mito Que Nunca Envelhece
Poucas histórias são tão persistentemente revisitadas quanto Frankenstein. Isso acontece porque, em sua essência, a narrativa não trata de ciência, mas de limites morais. A adaptação mais recente do clássico de Mary Shelley reafirma essa verdade: o verdadeiro terror não nasce do corpo costurado do monstro, mas do coração desconectado de seu criador.
Victor Frankenstein não é um vilão caricatural. Ele é um homem moderno — inquieto, genial, ambicioso — que deseja ultrapassar a morte não por compaixão, mas por controle. O filme enfatiza esse ponto ao retratá-lo como alguém que confunde vocação com vaidade, propósito com ego.
Essa distinção é antiga e profundamente bíblica:
“Nem tudo o que é lícito convém.” (1 Coríntios 6:12)
Criar Vida Sem Assumir Paternidade
Um dos eixos centrais da nova adaptação é a irresponsabilidade relacional de Victor. Ele cria, mas não cuida. Dá existência, mas não oferece pertencimento. O monstro nasce não como uma aberração moral, mas como uma criatura abandonada.
Essa ausência de paternidade transforma o dom da vida em maldição. O filme deixa claro que o problema não é a criatura existir, mas existir sem ser amada.
Aqui ecoa uma verdade profunda das Escrituras:
“Ainda que meu pai e minha mãe me abandonem, o Senhor me acolherá.” (Salmos 27:10)
O monstro não encontra esse acolhimento — nem humano, nem divino — porque seu criador se recusa a assumir a responsabilidade espiritual do que gerou.
O Monstro Como Espelho do Criador
A releitura recente acerta ao retratar o monstro não como pura violência, mas como resposta ao abandono. Sua brutalidade não surge do nada; ela é consequência direta da rejeição. Cada ato de violência é precedido por uma tentativa frustrada de conexão.
O filme nos força a encarar uma verdade desconfortável:
👉 o monstro é o reflexo amplificado do pecado de Victor.
Isso remete diretamente à lógica bíblica do pecado gerando frutos amargos:
“Cada um é tentado pela sua própria cobiça… depois a cobiça, concebendo, dá à luz o pecado.” (Tiago 1:14–15)
Victor gera vida sem amor; o resultado é destruição sem propósito.
A Soberba de Brincar de Deus
A adaptação moderna enfatiza menos os detalhes científicos e mais a motivação espiritual por trás do experimento. Victor não busca servir a humanidade — ele busca transcender sua condição humana.
Esse desejo ecoa o primeiro pecado da história:
“Sereis como Deus.” (Gênesis 3:5)
Frankenstein é, no fundo, uma parábola sobre o homem que deseja os atributos de Deus (criar, dominar a vida, vencer a morte), mas rejeita Seu caráter (amor, cuidado, responsabilidade).
O filme deixa claro: poder sem caráter não gera redenção — gera monstros.
A Criatura Que Aprende a Odiar
Um dos aspectos mais dolorosos da obra é perceber que o monstro não nasce mau. Ele aprende a odiar porque primeiro aprende a ser odiado. A sociedade o rejeita, o criador o abandona, e o mundo o ensina que não há espaço para ele.
Essa progressão é tratada com cuidado na narrativa, reforçando que o mal raramente surge do nada — ele é cultivado pela ausência de graça.
“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” (Provérbios 15:1)
Victor oferece silêncio, fuga e medo. O monstro devolve fúria, desespero e morte.
Conclusão: O Horror da Criação Sem Amor
A adaptação mais recente de Frankenstein reafirma o que o mito sempre disse, mas que nossa era insiste em ignorar: nem tudo que pode ser criado deveria ser criado — especialmente quando não há disposição para amar aquilo que nasce.
O verdadeiro horror não é a criatura deformada, mas o criador que se recusa a assumir as consequências de seu ato.
No fim, Frankenstein continua sendo um alerta atemporal:
quando o homem tenta ocupar o lugar de Deus sem carregar Seu caráter, ele não cria vida — cria ruína.
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