
Joel (The Last of Us) — Amor Que Salva ou Amor Que Condena?
Joel encarna o dilema moral mais desconfortável de The Last of Us: até que ponto o amor pode justificar escolhas que salvam quem amamos, mas condenam o mundo ao redor?
SÉRIE
1/24/20263 min read


O Homem Que Já Perdeu Tudo
Joel não começa sua jornada como herói. Ele começa como alguém quebrado além do reparo humano. A perda de sua filha no colapso inicial da civilização não é apenas um trauma narrativo — é o evento fundacional de sua ética.
A série deixa claro: Joel sobreviveu, mas não se reconstruiu. Ele aprende a viver em um mundo onde amar novamente é um risco alto demais. A violência, o contrabando e o distanciamento emocional não são sinais de crueldade gratuita, mas mecanismos de defesa.
Aqui se manifesta uma verdade dura das Escrituras:
“O coração conhece a sua própria amargura.” (Provérbios 14:10)
Joel não é indiferente — ele é ferido.
Ellie: A Vida Que Rompe o Isolamento
Ellie entra na vida de Joel quase como um incômodo. Ela fala demais, pergunta demais, sente demais. Tudo aquilo que Joel aprendeu a reprimir. A relação entre os dois não nasce do afeto, mas da necessidade.
No entanto, ao longo da jornada, Ellie faz algo que ninguém mais conseguiu: ela atravessa as defesas emocionais de Joel. Não pela força, mas pela constância. Pela presença.
Ellie não substitui Sarah biologicamente, mas desperta em Joel algo que ele havia enterrado: a capacidade de cuidar novamente.
“Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade.” (Salmos 127:4)
Ellie se torna essa flecha — não como arma, mas como direção.
O Amor Que Se Torna Absoluto
O ponto central do arco de Joel não é a violência, mas o absolutismo do amor. Quando chega o momento final, Joel já não age como alguém avaliando o bem comum. Ele age como pai.
E isso é o que torna sua decisão tão perturbadora: ela é compreensível, mas não claramente justificável. Joel escolhe salvar Ellie mesmo que isso signifique impedir uma possível cura para a humanidade.
A série não tenta suavizar isso. Pelo contrário, ela nos força a encarar a pergunta:
👉 o amor pode se tornar idolatria?
A Bíblia alerta exatamente para esse risco:
“Quem ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10:37)
Joel não escolhe o mal por ódio. Ele escolhe por amor — e é isso que torna tudo mais complexo.
Salvar Uma Pessoa, Condenar Muitas?
A decisão de Joel carrega um peso teológico profundo. Ele assume para si o direito de decidir o destino de muitos para preservar a vida de uma só pessoa. Ele se coloca, ainda que involuntariamente, em uma posição quase messiânica — mas sem redenção.
Diferente de Cristo, que entrega um para salvar muitos, Joel salva um à custa de muitos.
“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.” (João 15:13)
Joel faz o inverso. Ele tira vidas para preservar quem ama.
A série não condena nem absolve Joel de forma explícita. Ela nos deixa no desconforto — e isso é narrativamente honesto.
A Mentira Como Último Ato de Proteção
Talvez o gesto mais revelador de Joel não seja a violência, mas a mentira. Ele mente para Ellie para preservar sua inocência, sua paz, sua relação com ele.
Essa mentira revela algo crucial: Joel sabe que sua escolha não suporta plena luz. Ele não confia que a verdade manteria o vínculo.
“Porque nada há encoberto que não venha a ser revelado.” (Lucas 8:17)
A mentira protege no curto prazo, mas planta uma ruptura futura. O amor de Joel é real, mas é possessivo e temeroso.
Conclusão: Joel Não é Vilão — É Advertência
Joel não é um monstro. Ele também não é um herói clássico. Ele é um homem que permitiu que o amor se tornasse seu valor supremo, acima de qualquer outro bem.
The Last of Us nos lembra que até os sentimentos mais nobres, quando absolutizados, podem gerar destruição. Amor sem transcendência não redime — aprisiona.
Joel nos confronta com uma pergunta que não tem resposta fácil:
👉 se estivesse em seu lugar… você faria diferente?
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